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Publicado em: 22/08/2017

Saiba tudo sobre infiltração articular do quadril para quem pratica esporte

Dor inicial aparece na virilha ou região lateral após atividades intensas. Com repouso e o corpo frio, o incômodo surge como pontada e, na sua evolução, ocorre durante atividades diárias, diz ortopedi

Saiba tudo sobre infiltração articular do quadril para quem pratica esporte

Como já descrevi em outros artigos, a artrose do quadril em pacientes jovens é uma doença que pode ir vagarosamente tirando o atleta do esporte e comprometer a qualidade de vida. No quadril, a prevalência de osteoartrose (OA) aumenta com a idade. Nos jovens, os homens são mais afetados do que as mulheres, enquanto que ao longo da vida as mulheres são os mais atingidas, com severa limitação da atividade diária e qualidade de vida.

Em pessoas jovens, atualmente estuda-se uma doença denominada impacto da femoroacetabular (IFA). Nela, a morfologia dos ossos do quadril pode levar a colisão entre a cabeça do fêmur e o osso do quadril, denominado acetábulo. Isso pode lesar secundariamente o lábio cartilaginoso (labrum) e assim desencadear a osteoartrose.

O início da doença é caracterizada pela dor que aparece na virilha ou região lateral após atividades físicas mais intensas. Com repouso e o corpo frio, a dor surge como pontadas. Após alguns passos, o desconforto melhora. Este estágio geralmente se prolonga por muitos anos e a piora ocorre lentamente.

Na evolução, a dor pode aparecer durante as atividades da vida diária e existe real comprometimento da performance esportiva. Movimentos como calçar sapatos, cortar as unhas dos pés ou entrar e sair do carro começam a se tornar um pouco mais difíceis, devido a perda do movimento articular. Com a piora do quadro, as dores noturnas e a rigidez matinal surgem. Nesta fase já mais avançada, começa a perda real da qualidade de vida, quando a pessoa deixa de fazer o que lhe dava prazer.

Inicia-se o tratamento com fisioterapia e, se possível com hidroterapia, procurando fortalecer a musculatura regional e manter o arco de movimento. Exercícios de impacto devem ser evitados. A perda de peso também tem papel importante no tratamento, haja visto que o quadril suporta múltiplos do peso corpóreo.

Qual o tratamento?
O tratamento definitivo é a autoplastia total de quadril, cirurgia na qual toda a articulação é substituída pela prótese, composta da liga de titânio-cromo-cobalto. Apesar do design das próteses ter evoluído muito nos últimos anos e de permitir o retorno ao esporte em alguns casos, acredita-se que, quanto maior o impacto, maior a chance da evolução para a soltura. Por isso, quanto mais a protelação for possível, melhor. E, por este motivo, técnicas alternativas que possam aliviar a dor e manter o individuo ativo tem sido descritas e estudadas.

Em 1934, os pesquisadores Karl Meyer e John Palmer isolaram o ácido hialurônico (HA) em seres humanos, identificando-o como um produto da matriz extracelular de muitos tecidos maduros, incluindo o líquido sinovial. No início da década de 1960, criou-se a ideia de como a suplementação com HA poderia melhorar as propriedades dos fluídos sinoviais e tratar a dor articular.

Pouco tempo depois, foram publicados os primeiros estudos sobre modelos animais e tentativas de tratar o uso de HA. Em 1997, o HA recebeu a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) nos EUA para ser realizado em seres humanos. No início dos anos 2000, o produto começou a ser utilizado em maior escala em portadores de artrose, principalmente no joelho, sendo a molécula inicialmente de alto peso molecular.

Nos últimos 15 anos, estudos mostraram que molécula de médio e baixo peso traziam os chamados efeitos “condroprotetores” por melhorar o ambiente fisiológico de uma articulação osteoartrítica, restaurando a viscoelasticidade, reduzindo a fricção e melhorando a mobilidade. Por este motivo, começou a ser utilizada em outras articulações do corpo, entre elas, no quadril. Acredita-se que a injeção direta de ácido hialurônico no espaço articular permitiria atingir uma alta concentração com baixas doses, aumentando a permanência na articulação, com melhor resposta terapêutica.

Isso trouxe grande controvérsia, levantando-se a questão:
“Essa amenização de sintomas e retorno ao esporte não poderia levar a uma destruição ainda maior do quadril”?

Para responder essa pergunta, alguns estudos de suma importância foram publicados nos últimos três anos em revistas cientificas de renome, como a American Journal of Sports Medicine. Uma delas me chamou atenção por tratar-se de uma revisão sistemática, um estudo secundário, que tem por objetivo reunir estudos semelhantes, publicados ou não, avaliando-os criticamente em sua metodologia e reunindo-os numa análise estatística, a reanálise, quando isto é possível.

Os resultados sugerem que o alívio da dor obtido a partir de uma injeção de quadril intra-articular suporta um diagnóstico de IFA e que tem melhores resultados nos casos iniciais, com alívio terapêutico em até 12 meses. Aesposta negativa a curto prazo seria um indicativo da real necessidade de uma prótese total de quadril.
Lembrando que a infiltração do quadril deve se

Lembrando que a infiltração do quadril deve sempre ser guiado por ultrassom não só para reduzir o risco de uma lesão a artéria, nervo e veia femorais, mas também para que o ortopedista se certifique de que o produto foi realmente infundido dentro da articulação. Infiltrações realizadas “às cegas” podem causar muita dor e desconforto que podem perdurar por semanas.

  • Fonte: Eu Atleta
  • Por: Adriano Leonardi
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