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Publicado em: 25/06/2013

Especial hipertrofia: saiba mais sobre ganho de massa magra

Esse tema é um tanto quanto polêmico, e para falar dele, deve ficar bem claro o que é Hipertrofia.

Especial hipertrofia: saiba mais sobre ganho de massa magra

Hiper - Elemento que significa muito, em alto grau, além.
Trofia - Estado ou condição nutritiva.

Estímulo externo
Quando falamos em hipertrofia, logo nos vem à cabeça músculos maiores e mais fortes, mas esse fenômeno não se aplica apenas aos músculos, e sim, a todas as células do corpo, então, devemos considerar que todo o tecido corporal – gordura, músculos, ossos e todo o resto -passa por essas transformações mediante a estímulos internos e externos. Nesta matéria, vamos tratar dos estímulos externos, agentes causadores da “Hipertrofia”. Todo tipo de ação sobre o corpo, como gravidade, treinamento físico, alimentação, acidente, dormir etc., gera essa Hipertrofia. Cada acontecimento ou estímulo gera um tipo diferente de Hipertrofia corporal, então, a questão aqui é saber dar o estímulo certo para o objetivo que a pessoa tem. Nas academias, os praticantes das atividades oferecidas buscam a tão famosa Hipertrofia muscular realizando treinamento de força, a tão famosa musculação. Esse tipo de treinamento traz outros benefícios além da melhora da musculatura, um aumento da massa óssea também é um benefício evidente com esse tipo de estímulo, mas esse assunto será abordado mais a frente, onde discutiremos a "Hipertrofia do tecido magro".

Os lutadores de sumo realizam uma manobra diferente para ocorrer um aumento do tecido adiposo, além de aumento da musculatura, pois precisam ter corpos enormes para a prática da atividade. Outra situação bem conhecida por todos é o aumento do tecido adiposo devido à má alimentação, noites mal dormidas, excessos do dia a dia, e outros.

Tudo isso acontece porque nosso corpo possui uma programação feita há milhões de anos atrás, quando o ser humano passava por períodos de falta de água e comida. Essa falta de substratos frequentes fez com que o corpo humano se adaptasse ao fenômeno da Hipertrofia. Para entendermos melhor como isso funciona é bem simples: imagine que você precisa carregar uma caixa de 10Kg todo dia; no começo talvez tenha dificuldades, mas com o passar dos dias, seu corpo irá se adaptar e irá realizar as adaptações necessárias para aguentar a caixa tranquilamente; se aumentar o peso da caixa novamente irá gerar adaptação.

Saber estimular o corpo corretamente trará a resposta esperada. Não existem milagres nem fórmulas mágicas, apenas causa e efeito sobre o corpo humano. Outra situação bem comum de se ver é quando uma pessoa passa muito tempo sem comer: o corpo passa a armazenar mais energia em forma de gordura, isso é hipertrofia das células de gordura. Isso ocorre com todo o resto; o corpo humano sempre trabalha com reservas para manter a vida; se comer demais, o corpo irá armazenar tudo em forma de energia para posteriormente poder usar em caso de um período de pouca oferta de substratos.

Estímulo interno
Vamos discutir, a partir de agora, os estímulos internos que influenciam este fenômeno tão comentado por todos.

Para falar de estímulos internos, primeiramente devemos entender os seus mecanismos de ação, que envolvem glândulas produtoras de hormônios, sistema de absorção de nutrientes, vias de transporte de substratos e fatores psicológicos que afetam nosso corpo. Todos esses fatores estão interligados, e somados aos fatores externos citados anteriormente, faz com que determinada célula obtenha a hipertrofia necessária. A todo momento nosso corpo busca o equilíbrio interno (homeostase), e inúmeros sistemas interagem entre si para equilibrar nosso corpo. Um exemplo disso é a tão famosa tireoide que se opõe a hipófise, glândula produtora do hormônio do crescimento (GH). Um produz o GH e o outro o T3 e T4 , antagonistas que regulam inúmeras funções celulares. Nosso corpo trabalha da seguinte maneira: cada glândula produz uma quantidade média de hormônio para um estado equilibrado.

Se o corpo tem muito sódio, logo ele buscará uma fonte de potássio para equilibrar o meio interno, pois um é antagonista do outro. Isso ocorre em todo sistema corporal, se existe algo que constrói, existe um que destrói. Se algo foi feito provavelmente pode ser desfeito, dependendo da magnitude do caso. O corpo tem capacidade de regenerar qualquer tipo de célula; sabendo isso, logo nos vem a cabeça, por que não nos refazemos quando perdemos um membro, ou mesmo após um “AVC”? Por que algumas pessoas não se recuperam mais? Porque determinadas situações são mais complicadas que as outras, e em alguns casos o dano é irreversível. O caso não é tão simples assim. O corpo tem a capacidade de regenerar, mas cada parte do seu corpo sofre um processo diferente, cada parte precisa de um substrato e um estímulo diferente para se desenvolver, e para se refazer, se for o caso. Então, novamente caímos nos estímulos dados ao corpo, e entendê-los nos dá uma visão mais clara dos fenômenos corporais.

Para entendermos melhor, vou dar um pequeno exemplo de regeneração corporal para termos uma ideia de como isso funciona, e devemos ter em mente que ao longo do tempo essa capacidade diminui podendo chegar a zero (o corpo não tem mais condições para se regenerar). O tecido muscular demora em media 14 dias para se refazer, então, pense que há duas semanas atrás você tinha um bíceps e hoje você já tem outro, claro que isso ocorre com frações desse músculo por vez, e não o músculo completo. O tecido ósseo demora em torno de 3 a 4 meses para se refazer, órgãos como o fígado, 5 meses e o coração em média 20 anos. Sabendo disso vamos considerar novamente as condições corporais, e fazer uma pergunta.

Eu dou condições ao meu corpo para se refazer? Caso você dê as condições necessárias para seu corpo, outra pergunta se faz necessária. Será que nesse momento da minha vida e no estado em que meu corpo se encontra, ele tem capacidade de se refazer? Pois o quanto você degradou seu corpo ao longo dos anos, determinará a capacidade que e ainda possui de regeneração. Bom, já que sabemos como nosso corpo funciona, vamos começar a dar o que ele precisa (estímulo), Tratando de estímulo interno, devemos ter bem claro em nossa visão, que alguns desses estímulos não podemos controlar e outros sim.

Devemos sempre manter nosso corpo bem nutrido e hidratado, pois isso propiciará condições para que ele trabalhe perfeitamente. Outro fator importantíssimo é a questão psicológica, pois esse fator influencia toda a produção de hormônios no nosso corpo, em toda sua regulagem interna. Um desequilíbrio emocional acarreta um desequilíbrio físico, prejudicando a capacidade do corpo de se regenerar. Já soubemos de inúmeros casos em que pessoas receberam uma notícia de que um parente morreu ou que ganhou na loteria, e a pessoa foi acometida por um infarto. Isso deve-se ao descontrole emocional que influenciou diretamente na produção de hormônios, como adrenalina e outros, que fizeram seu coração acelerar demais e ele não aguentou. Então, concluímos que os estímulos internos são tão importantes quanto os externos para gerar Hipertrofia.

Desenvolvimento muscular
Após entendermos como funcionam os estímulos internos e estímulos externos dados ao nosso corpo, vamos falar do fenômeno mais cobiçado e desejado por todos, a famosa hipertrofia muscular.

Em qualquer movimento realizado pelo corpo, os músculos são solicitados a se contrair para que ocorra o movimento de um seguimento corporal. Ao se contrair e gerar esta ação, os músculos são degradados e danificados, e após um período de descanso (sono), eles são novamente refeitos. Isso ocorre com qualquer parte do corpo, que vive em constante oscilação, de degradação e regeneração.

Em uma sessão de treinamento resistido (musculação), degradamos o máximo de fibras musculares possíveis, para que então o corpo se refaça ainda maior e mais forte, pois relembrando as matérias anteriores, sabemos que o corpo tende sempre a ter uma reserva corporal. Todo treinamento deve chegar ao limite corporal ou bem próximo dele, para que o corpo seja refeito de forma mais resistente, forte e maior.

Os músculos são altamente adaptáveis, e da mesma maneira que crescem rapidamente, também perdem seu volume com o desuso. Para ter músculos grandes e fortes, devemos estimulá-los da maneira correta, e saber que se adaptam rapidamente a qualquer tipo de treinamento, e quanto mais treinado for o indivíduo, mais rápida será essa adaptação. Enquanto uma pessoa sedentária pode passa meses executando o mesmo treino sem que seu corpo se adapte, um fisiculturista pode se adaptar ao estímulo em até duas semanas de treino, e nesse caso, ajustes sempre são necessários. Esses ajustes podem ser feitos de diversas maneiras, com mudanças de séries, número de repetições, mudança de exercícios, ou até mesmo de angulações do mesmo exercício, diminuição ou aumento no intervalo entre as séries.

As maneiras de variar treinamentos são infinitas, e cabe a um profissional formado em educação física ministrar essas mudanças e ajustes. Muitos praticantes de musculação, após um tempo, se sentem confiantes em montar o próprio treino, mas deixo um alerta: existem relações sutis que devem ser consideradas e que não são levadas em consideração por praticantes não formados, tais como sobrecarga das estruturas corporais e adaptabilidade muscular.

  • Fonte: Global Fitness
  • Por: Claudio Sofredini
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