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Publicado em: 05/01/2017

Exercício físico aumenta o apetite? Veja o que é verdade e o que é mito

Médico Guilherme Renke comenta estudo que mostra nova visão sobre a relação entre as atividades e a fome e apoia o papel dos treinos no controle do peso.

Exercício físico aumenta o apetite? Veja o que é verdade e o que é mito

Os efeitos do exercício físico sobre o apetite têm sido um tema de intenso debate ao longo das últimas décadas. O interesse nessa área aumentou desde a virada do século, com a descoberta em 1999 da Grelina, um hormônio composto por 28 aminoácidos, secretado principalmente pelo estômago e que estimula o apetite e a secreção do hormônio do crescimento (GH).

A relação desse sistema com o apetite tem implicações óbvias para o papel do exercício físico na manutenção de um peso saudável e na indução da perda de peso naqueles que estão acima do peso e querem mudar a composição corporal. Infelizmente, há um mal entendido generalizado sobre como o exercício afeta o apetite. Um equívoco é que o exercício aumenta o apetite e a ingestão de alimentos e, assim, mina as tentativas de perder peso. Será mesmo?

Se voltarmos um pouco no tempo, essa visão foi muitas vezes propagada pela imprensa, por exemplo, na revista "Time", de 2009, com título "Por que o exercício não vai fazer você magro". Em contraste com essa visão generalizada de que o exercício aumentaria o apetite, a maioria das pesquisas científicas sugere exatamente o oposto.

Como o exercício físico atua na regulação do apetite?

O "American College of Sports Medicine" destaca que o exercício físico vigoroso suprime transitoriamente o apetite. Subsequentemente o apetite retorna, mas este não é geralmente suficiente para compensar completamente a energia gastada durante o exercício. Ou seja, a supressão do apetite não gera um efeito rebote aumentando a ingesta alimentar.

Isso pode ser demonstrado pelo estudo recente de Alajmi et al publicado no "Medicine & Science in Sports Exercise" (2016), que examinou as respostas do apetite para déficits de energia criados através de dieta ou exercício. Os resultados mostraram que as percepções de apetite aumentam fortemente quando a ingestão de alimentos é reduzida, mas não quando o gasto de energia é aumentado através do exercício. Em conjunto com as percepções do apetite, verificou-se que as concentrações de Grelina foram maiores durante o ensaio de restrição alimentar do que durante o exercício físico. Além disso, o estudo avaliou também outro peptídeo gastrointestinal que suprime o apetite: o PYY. Da mesma forma, as concentrações do PYY permaneceram elevadas ao longo do estudo no grupo dos exercício físicos e estes níveis foram mais baixos durante o estudo no grupo que fez a restrição alimentar. Em conjunto, essas respostas hormonais parecem ser maiores quando há um déficit de energia criado através da restrição alimentar do que através do exercício físico.

Existe diferença no apetite entre homens e mulheres?

Em um segundo estudo, foi comparada a percepção do apetite, a secreção de Grelina e a resposta alimentar ao exercício físico entre os homens e as mulheres. O resultado: não foram encontradas diferença de gênero. As percepções de apetite e as concentrações de grelina foram reduzidas durante uma corrida de uma hora e recuperadas pouco depois da interrupção do exercício. A resposta alimentar também não diferiu entre os estudos de repouso e de exercício (isto é, o exercício não aumentou a ingestão de alimentos) quer nas mulheres, quer nos homens.

Esses resultados proporcionam uma nova visão sobre a relação entre o exercício e o apetite e apoia o papel do exercício físico no controle do peso para ambos os sexos. Isso também demonstra que o exercício, quando feito sob a supervisão de um profissional de educação física é uma abordagem segura e bem-sucedida para a mudança da composição corporal, tanto em homens quanto em mulheres.

  • Fonte: Eu Atleta
  • Por: Guilherme Renke
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