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Publicado em: 14/05/2013

A verdade sobre as dietas

Ampla pesquisa realizada por cientistas americanos e dinamarqueses mostra quais são as estratégias que funcionam para o controle de peso e o que não passa de mito.

A verdade sobre as dietas

Uma pesquisa recém-divulgada mexeu profundamente com as convicções de estudiosos, médicos e outros profissionais ligados ao combate da obesidade. Realizado por pesquisadores de sete universidades – seis americanas e uma dinamarquesa –, o trabalho definiu sete mitos, cinco dúvidas e seis verdades em relação a dietas. Dessa maneira, derrubou conceitos adotados até hoje, colocou sob suspeita outros tantos também defendidos por muita gente e, principalmente, destruiu ideias nas quais todos, inclusive especialistas, acreditavam, mas que, segundo os autores do trabalho, estão equivocadas. Simplesmente não funcionam. O estudo foi publicado como um artigo especial no “The New England Journal of Medicine”, uma das mais respeitadas e importantes publicações científicas do mundo.

Participaram da pesquisa cientistas das áreas de medicina, nutrição, psicologia, educação física, saúde pública e bioestatística. Foi a primeira vez que uma equipe multidisciplinar e desse porte – são todos pesquisadores respeitados em suas respectivas áreas – se dispôs a fazer uma investigação sobre o que há de verdade científica em fundamentos que sustentam o tratamento da obesidade. Primeiro, identificaram algumas das ideias mais comuns sobre o assunto presentes em livros, na internet e também em programas de saúde pública.

Eles encontraram desde questões como a importância da motivação para o sucesso do regime até a eficácia da cirurgia bariátrica. A partir da seleção, iniciaram uma varredura na literatura especializada para saber quanto cada um dos itens tinha de solidez científica. Passaram sete meses levantando e analisando centenas de experimentos acerca dos temas. O parâmetro que separou o joio do trigo – ou seja, os trabalhos realmente bem-feitos do ponto de vista metodológico daqueles pontuados por falhas – foi o modelo considerado hoje o padrão ouro da pesquisa científica: os estudos randomizados controlados. São trabalhos que fazem comparações entre duas ou mais intervenções, aplicadas de maneira aleatória entre os participantes, e que são controlados pelos cientistas. Seu desenho reduz drasticamente a possibilidade de conclusões erradas, como confusões entre causa e efeito de um fator.

Ao final da revisão, os pesquisadores puderam separar o que, segundo ciência de qualidade inquestionável, é verdade quando se fala em combate ao excesso de peso, algumas questões sobre as quais ainda pairam dúvidas e conceitos que não têm sustentação científica, embora sejam usados e repetidos há anos. “Há muitas informações sobre causas, prevenção e tratamento da obesidade que não estão baseadas em fortes evidências científicas”, afirmou à ISTOÉ o pesquisador Gareth Dutton, um dos responsáveis pelo estudo. “E muitas delas são usadas para nortear políticas públicas e tratamentos.”

Basta uma olhada na lista dos mitos identificados pelos cientistas para se deparar com algumas dessas ideias. E se surpreender ao saber que não passam de inverdades, de acordo com o trabalho. A primeira é a de que adotar pequenas mudanças de hábito – aquela velha história de trocar o elevador pela escada, comer um pouquinho menos… – traz resultado a longo prazo. Trata-se, segundo o estudo, de um conceito ultrapassado segundo o qual um indivíduo perderia 0,45 quilo cada vez que gasta ou deixa de ingerir 3,5 mil calorias. Ou o oposto (ganharia quase meio quilo a cada 3,5 mil calorias consumidas).

De fato, pesquisas recentes demonstram que a conta não é tão exata assim: o corpo vai se adaptando à perda de peso e não metaboliza mais as calorias nos mesmos moldes, derrubando por terra a ilusão de que a queima calórica seguirá no mesmo ritmo, mesmo não havendo outras mudanças na rotina. Sem contar as variações individuais que determinam como cada um reage à queima calórica. Muitos especialistas já adotam o novo raciocínio. “Mudanças pequenas na atividade física ajudam a pessoa a ser menos sedentária e não a perder peso”, diz a psicóloga Regina Sbrissa, reconhecida especialista em distúrbios alimentares, de São Paulo.

  • Fonte: Global Fitness
  • Por: Cilene Pereira e Monique Oliveira
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